sexta-feira, 8 de maio de 2015

Lembranças

És  a verdade em um solo fecundo
De mentiras inventadas
És  o ator sob a máscara 
Que contracena com a colombina
Que me habita nas madrugadas

És  o conhecedor de meus  temores 
Da fera escondida sob a máscara
bela e irreal.

És lembranças  sem fim
De um desejo proibido
Invadindo meu consciente.

Despedida

Vais e leva contigo um pedaço  de mim
Levas meus sonhos
Levas meus pecados
Despedaça minha alma

Caminharei incompleta
Seguirei os caminhos espinhosos
De um mundo despudorado e corrupto

Vais e leva contigo meu coração
Deixe a solidão no lugar
Vais...

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Ana Luísa

Me perco
no azul de teus olhos
na curva de tua boca
no desenho de tua face

Me perco
Em teus dedos
Em cada fio do teu cabelo

Me perco
Para te encontrar

Tua Chegada

Cada choro teu possui um significado oculto
Um segredo a ser desvendado
E como Sherlock
Me ponho a procurar os detalhes
A decifrar a linguagem de teu corpo
A compreender os acordes vocais de sons guturais

Desvendar teus segredos
Meu passatempo
Meu ópio
Meu vicio necessário

Pedaço de mim?

Queria dizer que és
um pedaço de mim
mero engano materno

és tão você
quando me olhas sorrindo nas madrugadas
quando gritas horas a fio
quando se aconchega em meu ombro

és tão você
quando para de brincar e procura meu olhar
quando perde a paciência com um brinquedo
e chora até o colo chegar

és tão você
em teu sorriso
em tua personalidade
e no amor que lhe tenho


Reflexões Maternas

Tua chegada trouxe nova cor a meus dias
O que antes era cinzento virou arco-íris

Vivo para teus sorrisos
Teus choros, teus gritos

És um pequeno pedaço de vida
Pedaço perfeito de cores vívidas

Você, minha menina
Faz de cada momento
Uma descoberta

Contigo aprendo
Aprendo todos os dias
Um pouco mais de ti
Um pouco mais de mim
E um tanto de nós

terça-feira, 17 de julho de 2012

Infância?


Lacrimeja o céu
sob a noite cinza.
Olhas ao redor
e a multidão ignora-te.
O vermelho de teus olhos
afasta de ti os alentadores invasivos.
Teu peito arfa ritmadamente,
tuas mãos estendem-se ao vazio
e ele se apodera do teu ser
consumindo tuas forças.
O nada se apodera de ti.
És o nada na noite,
umidamente cinza,
de luzes amareladas e distantes.

Palavras despudoradas


                                            Pequena homenagem ao poeta Edgar Izarelli

Palavras despudoradas
abandonam ao poeta sem ao menos dizer adeus.
Correm pelos corredores de sua mente
sem permitir que as agarre.
Escondem-se, cansadas que estão
do uso e desuso que as escraviza.
Passam a ser letras perdidas
nas folhas em branco.

O poeta em desespero revira os dicionários,
as enciclopédias e até os receituários.
Corre pela cidade a procurá-las.
Até o psicólogo intervém.
Mas as palavras resistem
e o poeta abandonado afinal desiste.

E no silêncio de si mesmo
encontra uma palavra perdida.
Uma segunda acena ao longe.
E aos poucos, cheias de inspiração,
elas voltam ao papel
e o poeta recria seu mundo.

Silêncio


O silêncio profundo
é cortado por seus soluços
a dor a invadir suas entranhas
a levava de volta à escuridão do medo
as janelas fecharam-se
recolheu-se na mais profunda solidão
não pôde impedir que o vazio voltasse
sentiu-se devorada por ele

a luz do sol não a retirou da escuridão
por tempo suficiente para que suas chagas fossem curadas
uma a uma as cicatrizes abriram-se em seu peito
e o sangue escorreu vertiginosamente por seus dedos
sentindo-se cansada demais para estancá-lo
permaneceu imóvel
esperando que a dor a consumisse lentamente
até que retornasse ao pó

sábado, 21 de abril de 2012

TUA



                 TUA
        NUA
         NA
      RUA
         SOB
               A LUA

Peço licença para adentrar


peço licença para adentrar
na tua vida
na tua mente
com palavras febris
de protesto ou amor


cuspo-as no universo
desordenadas e perplexas
palavras perdidas
tão perdidas quanto
o menino na esquina


sem identidade
vivendo na chuva
no abandono
vítima da crueldade
de ter nascido sem pedir licença

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Cortes

 A tristeza foi retirada a navalha de um peito febril
deixou cicatrizes profundas em cortes irregulares
passados a ferro e marcados a carvão em brasa
sentiu a leveza que se apossava de sua alma
enquanto escondia sob tecidos floralmente acetinados
as dores que arrancara de si
sorriu para si mesma diante do espelho de moldura envelhecida
como sua pele, com precisão cirúrgica
munida de seus polegares humanos
retirou os últimos pedaços dolorosos
escondidos detrás de uma costela
mergulhou em água fervente e deixou 
queimar dentro de si as chagas arrancadas
com toneladas a menos começou a correr
cruzou a cidade, o estado e largou o país
longe de tudo e de todos recomeçou
plantou canteiros de flores e manjericão
respirou profundamente o ar marinho
e sorrindo reencontrou o amor.

Caminhando pela vida

perco-me em seus horizontes
de olhares meigos
rostos sorridentes
e corações descompassados
enquanto danço na chuva
os cabelos esvoaçam
os horizontes mudam a paisagem
apenas mais uma dança
um novo sorriso
um novo caminho
a passagem é rápida
cara ou barata não espera decisão
é agora, o presente
o horizonte sorri de olhos fechados
e braços abertos
aventuras errantes
caminhos tortuosos, curvilíneos,
montanhosos
uma reta careta sempre a espera
fugitivos que somos do ontem
um horizonte bamboleante
embriagador em jasmins e rosas brancas
perco-me
a estrada é sem fim
tem sempre uma curva
há sempre uma reta após a montanha

domingo, 4 de dezembro de 2011

Hipérboles de saudades

Homenagem aos formandos de 2011 da EMEF Mitsutani I Jornalista Paulo Patarra

Há amores que nascem nos jardins
os que nascem nos corredores da escola
há até amores nascidos em portões
e há amores nascidos entre
verbos e conjunções
regados a muitos artigos de opinião.

Esse é um amor duradouro
pois nasceu nome, virou característica
e finalmente foi conjugado em
pretérito, presente e o será no futuro
pois amor nascido no reino das palavras
segue um rumo singular e
não há plural que o destrua.

Supera as diferenças de gênero
as antíteses do caminho
e como este não é um amor eufemista
ele se faz sinestésico
e explode em hipérboles de saudades.

O amor do poeta

o poeta fala de amor
do amor da menina
e do rapaz

o poeta fala de amor
com maestria e de
modo perspicaz

o poeta fala de amor
de maneira solene e bela
criando encantos

o poeta fala de amor
tão singelamente
que o amor nos invade

o poeta não fala de amor
ele se cala 
porque não consegue 
traduzir em palavras
o amor que o consome
então, o poeta entende
que falar de amor 
é para quem não ama

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Almirante

Chegastes silenciosamente
pé ante pé
imperceptível
remando sem parar
fostes ocupando os espaços
do lago profundo que sou
crescestes aos poucos
tão lentamente
que as folhas não farfalharam
os pássaros não bateram em retirada
a água não se moveu
sob teus remos.
Quando dei por mim
lá estavas tu
com os pés fincados
na areia de meu peito
ocupando inteiramente
os espaços da minha vida .

sábado, 22 de outubro de 2011

Sem rumo


abro as janelas
o vento acaricia minha pele
bagunça meus cabelos
acelero
a sensação de liberdade aprofunda

em minha frente apenas a estrada
a estrada que leva a lugar nenhum
uma estrada sem fim
sem retorno

seu custo?
minha liberdade definitiva
definitivamente minha
indescritível, insolúvel,
solitária e bela

a beleza da estrada
do vento
das árvores pelo caminho
o sol dourado e quente
e como passageira
lá está ela
lindamente sólida e palpável

a felicidade me inunda
sou livre
livre como poucos o são
e a liberdade me basta.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A tua beleza


afogou-se em um universo paralelo
composto por sentimentos expandidos
ao longo de sua inexistência

sonhava com pássaros azuis e árvores frutíferas
porém foi tomada pelo cinza da existência indefinida
da metrópole

seu mundo de sonhos ruiu
quando as flores não surgiram na primavera
olhou-se no espelho e percebeu sua pele murcha
as rugas que eram seu rosto
e a órbita obscurecida
e sem brilho pela qual via o mundo
- Como podes ver o brilho do mundo por órbitas tão vazias?

chocou-se com a face amarelecida
- Há quanto tempo não via o sol?
estava tomada por tão profunda solidão
que a luz a incomodava
percebeu-se um ser estranho
estranho para si mesma
já que aquela criatura
em frente ao espelho não lhe era reconhecível

- Reconhecível?
- Podemos nós reconhecermos nossas fraquezas vãs?
- Mostrar-nos a um mundo belo despojados de beleza?
- Que importa teus bons sentimentos
quando tua face é desagradável às pupilas alheias?

escondeu-se ensimesmada na mais profunda escuridão
foi perdida
perdeu-se com ela
seu belo e puro coração.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Sou Mulher

Sou Mulher!
Trago no peito as dores de Eva.
Concebo a vida em meu corpo
e a esmago em meus dedos.
Sou capaz de amar com a intensidade feminina
e sepultar este amor com a mesma lírica.

Sou Mulher!
Sangro pela minha existência.
Afago, acalento a inocência,
seduzo o mundo pelo sorriso,
desbravo cachos com a mesma delicadeza que bato.

Sou sexo frágil!
E tão forte em minha fragilidade
que construo o mundo.
Ofereço meu amor inconsequente e puro.
Amor de mulher
que entrega a vida
destruindo os muros,
rompendo as barreiras,
reconstruindo o futuro.

terça-feira, 18 de outubro de 2011