segunda-feira, 16 de maio de 2011

Ao que me é importante

Não me importa que todas as manhãs saias rapidamente
se a noite estiveres ao meu lado.
Não me importa se o frio vem na madrugada
se me aqueces em teus braços.

Não me importa o silêncio
se ouvi a tua voz em meus sonhos.
Não me importa se as lágrimas chegam
se teus dedos as retiram da minha face.

Não me importa a solidão
se é provocada por tua ausência.
Não me importa a dor da perda
se um dia pude tê-lo ao meu lado.

Monólogos


                                                                                    a  meu amado anjo
Recrio-te em minha frente, com perfeição inimaginável.
Inspiro demoradamente o aroma que é teu.
Desmancho em meus dedos, um a um, teus caracóis
e conversamos, longamente, sobre tantos assuntos.

Entre sorrisos e afagos, timidamente meigos,
contas-me como foi o teu dia.
Recrias as histórias de reis e imperadores
e as reconta magicamente.

Mas, nossas longas conversas
são apenas monólogos sem fim.
Ocorrem unicamente em minha mente.
Não me contastes o que fizestes,
nem tampouco teus medos, receios
ou teus antigos amores.

Sei apenas que fazes parte dos meus sonhos,
que te fantasio a cada anoitecer
e espero, silenciosamente,
que nossos monólogos se tornem
conversas sem fim.

Palavras retoricamente mudas


Palavras. Palavras. Palavras?
Sóis apenas palavras mudas
escondendo-se embaixo
de retóricas infindáveis.
Mostre-me a pureza dos simplistas
e como flecha atinja o alvo!
Não permitas que as palavras
façam de ti um escravo
inconsequente, indizível
retoricamente prolixo
ou prolixamente político.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Manifesto contra a barbárie

Quando a barbárie toma conta da inocência
perdemos o sentido da vida
A poesia perde-se em metáforas incompreensíveis

Não há palavras que preencham o vazio
O vermelho apossou-se do que antes era branco e puro
Perdemos, todos nós, a esperança
por segundos inter-mi-ná-veis...

O medo cresceu a passos largos
Os sorrisos foram embora
Serão encontrados novamente
entre escombros de reformas reinventadas?

Reinventemos sim
A barbárie em forma de solidariedade
A solidão em abraços apertados
O medo em amor

Reinventemos uma nova sociedade
para não sermos reinventados pelo medo!

domingo, 27 de março de 2011

Desumanidade



Um mundo cinza  

chora as dores de uma humanidade 

desumana. 


                       Série: "Quase haicai"

sábado, 26 de março de 2011

Ensina-me a viver


Ensina-me a viver
a descobrir o que há de único em mim.
Ensina-me a colorir a vida e
a descobrir seus cheiros?

Ensina-me a ser louco!
A subir em árvores,
dar cambalhotas e apreciar as estrelas.
Ajuda-me a descobrir as alegrias perdidas e
a combater o que me é imposto.

Use tuas chaves mestras
e abra a porta do meu ser.
Encontre o que há
de mais escondido.

Leva-me para apreciar o mar
e juntos descobriremos
que o amor rompe barreiras.

Uniremos nossos corpos,
nossos corações,
nossas almas.

Seremos eternamente amantes...

domingo, 20 de março de 2011

Todas as Cora-lindas


Vive dentro de mim
a mulher que ama
se entregando inteira
sem medo ou receio
do que virá depois.

Vive dentro de mim
a mulher moralista
pregando o certo e o errado
tentando ser o exemplo
de um mundo perdido.

Vive dentro de mim
a mulher feminista
lutando por novos direitos
impondo respeito
sem ser submissa.

Vive dentro de mim
a mulher sonhadora
construindo castelos em nuvens
e cascatas de açúcar

Vive dentro de mim
a mulher sofredora
labutando todo o dia,
sendo apenas suor e cansaço.

Vive dentro de mim
a mulher que é mãe
cuidando de todos
regando com afeto
a todas as crias.

Vive dentro de mim
a mulher desiludida
chorando e sofrendo
sem ser compreendida.

Vive dentro de mim
a mulher apaixonada
fazendo poesias
sendo apenas sorrisos
ao longo do dia.

Vive dentro de mim...
mil mulheres
e nenhuma.

Mergulho no espaço


Mergulho no espaço
ausente e perdido do infinito
que oprime de forma esmagadora
os sonhos contidos.


Mergulho na escuridão
das noites achadas em meu peito
ao alcance dos meus pensamentos
e longe das minhas mãos.


Mergulho em mim
rasgo meus medos em pedaços
que nunca serei capaz de unir...
                             e ainda assim
causam dor em meu peito.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Devaneios aforidos

                                            ou Influências Nietzschianas

Perdulariamente as ideias brincam
com o excesso da razão
gerando herdeiros da consciência.

Trazem ao mundo
- os pescadores do inconsciente -
um novo alimento
de sabor amargo,
capaz de dizimar rebanhos
e reviver a arte.
Recolhem os restos
os tornando novamente belos.

Enraizados no corpo
nossos desejos,
suprimidos pelo mundo,
são resgatados por gestos e olhares
dos pescadores profundos
mergulhados em mares solitários.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Retorno

A inspiração perdeu-se
em olhares ansiosos
sorrisos nervoso
e cadernos em branco.

Perdeu-se em explicações
ocupada que estava
apenas com a realidade.

Escondeu-se tão bem
entre tintas fétidas
e concreto suarento.

Foi-se embora
por não suportar
as vozes desesperadas
os abraços não-nascidos
os afagos abortados
em olhares mortos.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Mente Insana


A mente insana
perde o seu rumo em um
olhar passageiro.

Silêncio que grita


Quando nos calamos
temos muito a dizer
há uma alma
que chora e sofre
pede silenciosamente
um único
abraço...

Sutilmente te quero


Quero-lhe calmamente...
com a sutileza
que só possui aqueles
capazes de amar.

Os quais se entregam,
permitem que o amor
seja seu mundo e
o sentido que permeia
sua alegria e
seu viver.

Infância


As brincadeiras embaixo do abacateiro,
colher ameixas, amoras, morangos silvestres,
cheiro de orvalho nas manhãs de inverno,
contas recolhidas na beira do riacho,
bambus dançando com o vento,
incontáveis roupas de bonecas,
cerzidas por mãos pequeninas e atrapalhadas,
riscos no chão com pedaços de tijolos,
esconderijos secretos,
hortênsias com seus tons de azuis e lilases,
mexericas azedas e bananas verdes,
explorações sem fim na mata ao redor.

A casa velha,
palco de nossas fantasias.
O quintal do terra,
palco de nossas brincadeiras.
O riacho,
palco de nossas artes.
Éramos felizes, apenas não sabíamos.

Recrio-te em mim


Recrio tua presença em pensamento.
Vivencio os momentos compartilhados por nós.
Esquecer-te me é impossível.

Quero arrancar-te de meus pensamentos,
do meu coração descompassado,
apagar da memória teu olhar.

Tentativas vãs marcam meu dia.
Quanto mais tento esquecer
mais recrio-te em mim.

O pianista


Seus dedos longos
percorrem as teclas do piano.
O som límpido e alegre
preenche o ambiente.

A voz de tenor italiano
inicia o canto.
Todos fazem silêncio
apreciam o momento que é teu.

A luz ilumina teu nariz adunco
e os raros fios brancos
que compõem teu charme.

Neste momento deixastes de existir
existe apenas tua arte,
teu cantar envolvente e alegre,
teus dedos a acariciar o piano.

Palavras que tentam, inutilmente, serem poesia.


Choro compulsivamente,
minhas lágrimas molham o colo
que tanto me alegra
e que neste momento me consola.

Agora sabes por que te amo?
Porque me levas ao êxtase
e com a mesma voz,
suave e rouca, dizes:
-- Chora!

Então choro
por perder-te,
porque nunca fostes meu,
por amar-te,
por saber que mais uma página
será preenchida
com palavras que tentam,
inutilmente, serem poesia.

Lembranças


Quando olho dentro de mim
vejo a escuridão da minha mente.
Vejo os medos que tenho.
Posso ouvir o barulho do mar e sentir seu cheiro.

Posso sentir os cheiros...
de terra molhada e manga verde.
Papel velho, suor e perfume doce.
Doce de leite no fogo.
Angu, mato molhado e milho verde.
Todos cheiros de uma infância feliz e triste
perdida entre o se perder e se achar
de dois adultos que nunca se encontraram.

Quando olho dentro de mim vejo
a persistência de quem quis
ir atrás de seus ideais.
Vejo as dores e as cicatrizes
de inúmeros fracassos e derrotas.
Vejo a dificuldade de esquecer os laços rompidos.

Vejo tanta coisa e não vejo nada
pois há somente o extremo vazio que me consome.

Porém, no fundo vejo
a enorme esperança
de preenchê-lo,
de amar
de ser feliz
de esquecer para sempre o passado.
Por os olhos no futuro
e viver intensamente o presente.

Sonho, sonho apenas...


Sonho com o amor
que me fará sorrir,
me aquecerá no frio,
me protegerá da dor.

Sonho com o amor
que cuidará de minhas chagas,
me ensinará a cultura grega e oriental.

Sonho com o amor
que preencherá os meus dias.

Sonho com o amor
ao qual entregarei meus carinhos,
afagos e sorrisos.
Ao qual alimentarei com minha vida
e ensinarei os caminhos desvendados.
Ao qual me entregarei
sem regras,
sem limites,
sem pudores,
sem medos.

Sonho com o amor
imperfeito e torto,
quente e saboroso.

Sonho, sonho apenas...
com o amor.

Dividas comigo


Dividas comigo
o pão dos famintos,
o remédio dos doentes,
o consolo dos fracos,
a vitória dos fortes.

Dividas comigo
o chorar dos tristes
O riso dos felizes,
o saber dos sábios,
a fé dos religiosos

Dividas comigo
tua existência,
tua sabedoria,
teu amor
e dar-te-ei meu coração.