quinta-feira, 23 de junho de 2011

Sede

Sede, boca, sussurro
Palavras, boca, boca, bocas
Unem-se e entendem
No calar o que apenas
Palavras não dizem

Sede, desejo, corpo
Mão, mãos, pele, pelos
Gotas, suor, ofegação

Corpos que falam
A linguagem muda
Que apenas os corpos
Entendem
Que apenas a emoção
Domina

Razão não há
Há unicamente desejo
E corpos que se
Entendem silenciosamente

Um em dois

Amar-te-ei puramente
Porque o quero
Egoisticamente como aquele que
Completar-me-á

Unir-me-ei a ti
A teu sexo
A teu desejo
Ao teu
Ao meu amor

Amar-nos-emos perplexamente
Pornocausticamente
Seremos puros
Tornar-nos-emos dois, um
um em dois, que se completam
ternamente.

sábado, 18 de junho de 2011

Os braços de Morfeu


Vou para os braços de Morfeu
que me espera todas as noites,
em lugares indistintos
e muitas vezes impensado.

Teu manto me espera ávido
e não luto contra teu abraço.
Ele me acalenta e me leva
a passeios inimagináveis.

Com Morfeu alço vôos.
Volto a ser criança.
Viajo em lembranças
ou a lugares nunca dantes visitados.

Levaremos da vida


Levaremos da vida
o cheiro de mato,
os sorrisos achados,
os olhares trocados.

Levaremos da vida
os prazeres,
os desejos,
os amores.

Levaremos da vida
a vontade de viver intensamente,
sem medo do amanhã

Levaremos da vida
o que construirmos
em nossos corações.

sábado, 11 de junho de 2011

Certamente, perdidos!


Não me proponho a entender-te.
Não me coloco a tua disposição.
Não quero ouvir teus medos
nem saber de tuas angustias.

Não sou quem mudará o que és.
Não sou quem serás capaz de compreender-te.

Estou perdida
e perdidos não indicam caminhos.
Perdidos perdem-se juntos,
riem juntos em ruas desconhecidas.

Perdidos procuram apenas
o que nem sabem se vão encontrar.
Querem novos lugares
para perderem-se novamente.
Possuem apenas a certeza
de não estar em nenhum lugar.

Apenas uma conversa


Tua voz apossou-se de todo o espaço
entre o sol e o núcleo terrestre.
Apossou-se de cada partícula
que compunha minha capacidade auditiva.

Teu olhar cativante prendeu a atenção
que antes estava perdida
entre a vergonha,
a gagueira
e o medo.

Explicaste o início,
o meio,
mas ainda não chegamos ao fim.

Há muito para ser dito.
Há muito para mudar.
Há muito para fazer.
Faremos juntos,
unidos mudaremos o mundo.

Acredito em tuas palavras.
Acredito em tua vontade.
Porque acredito em teu caráter.
Porque acredito em você.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Sou, palavra.


Descubro-me invocadora
de palavras febrilmente reencontradas
procuro-as unicamente para definirem
quem sou.
 
Sou palavras, sou formada por sílabas
unidas uma a uma
em um emaranhado sem fim
de um léxico complexo
perdido e indefinido
extremamente latino em seu desuso
e anglo-saxão em seus excessos.

Sou palavra, formada por letras
unidas e separadas a meu bel prazer
um tanto quanto vocálica
um tanto quanto consonantal
unicamente para explodir
em sons métricos e ritmados.

Sou palavra complexa
sem ter minha semântica
em dicionário algum.
Sem sentido, sem som
apenas uma justaposição
amalucada de sufixos e radicais.

Ao que me é importante

Não me importa que todas as manhãs saias rapidamente
se a noite estiveres ao meu lado.
Não me importa se o frio vem na madrugada
se me aqueces em teus braços.

Não me importa o silêncio
se ouvi a tua voz em meus sonhos.
Não me importa se as lágrimas chegam
se teus dedos as retiram da minha face.

Não me importa a solidão
se é provocada por tua ausência.
Não me importa a dor da perda
se um dia pude tê-lo ao meu lado.

Monólogos


                                                                                    a  meu amado anjo
Recrio-te em minha frente, com perfeição inimaginável.
Inspiro demoradamente o aroma que é teu.
Desmancho em meus dedos, um a um, teus caracóis
e conversamos, longamente, sobre tantos assuntos.

Entre sorrisos e afagos, timidamente meigos,
contas-me como foi o teu dia.
Recrias as histórias de reis e imperadores
e as reconta magicamente.

Mas, nossas longas conversas
são apenas monólogos sem fim.
Ocorrem unicamente em minha mente.
Não me contastes o que fizestes,
nem tampouco teus medos, receios
ou teus antigos amores.

Sei apenas que fazes parte dos meus sonhos,
que te fantasio a cada anoitecer
e espero, silenciosamente,
que nossos monólogos se tornem
conversas sem fim.

Palavras retoricamente mudas


Palavras. Palavras. Palavras?
Sóis apenas palavras mudas
escondendo-se embaixo
de retóricas infindáveis.
Mostre-me a pureza dos simplistas
e como flecha atinja o alvo!
Não permitas que as palavras
façam de ti um escravo
inconsequente, indizível
retoricamente prolixo
ou prolixamente político.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Manifesto contra a barbárie

Quando a barbárie toma conta da inocência
perdemos o sentido da vida
A poesia perde-se em metáforas incompreensíveis

Não há palavras que preencham o vazio
O vermelho apossou-se do que antes era branco e puro
Perdemos, todos nós, a esperança
por segundos inter-mi-ná-veis...

O medo cresceu a passos largos
Os sorrisos foram embora
Serão encontrados novamente
entre escombros de reformas reinventadas?

Reinventemos sim
A barbárie em forma de solidariedade
A solidão em abraços apertados
O medo em amor

Reinventemos uma nova sociedade
para não sermos reinventados pelo medo!

domingo, 27 de março de 2011

Desumanidade



Um mundo cinza  

chora as dores de uma humanidade 

desumana. 


                       Série: "Quase haicai"

sábado, 26 de março de 2011

Ensina-me a viver


Ensina-me a viver
a descobrir o que há de único em mim.
Ensina-me a colorir a vida e
a descobrir seus cheiros?

Ensina-me a ser louco!
A subir em árvores,
dar cambalhotas e apreciar as estrelas.
Ajuda-me a descobrir as alegrias perdidas e
a combater o que me é imposto.

Use tuas chaves mestras
e abra a porta do meu ser.
Encontre o que há
de mais escondido.

Leva-me para apreciar o mar
e juntos descobriremos
que o amor rompe barreiras.

Uniremos nossos corpos,
nossos corações,
nossas almas.

Seremos eternamente amantes...

domingo, 20 de março de 2011

Todas as Cora-lindas


Vive dentro de mim
a mulher que ama
se entregando inteira
sem medo ou receio
do que virá depois.

Vive dentro de mim
a mulher moralista
pregando o certo e o errado
tentando ser o exemplo
de um mundo perdido.

Vive dentro de mim
a mulher feminista
lutando por novos direitos
impondo respeito
sem ser submissa.

Vive dentro de mim
a mulher sonhadora
construindo castelos em nuvens
e cascatas de açúcar

Vive dentro de mim
a mulher sofredora
labutando todo o dia,
sendo apenas suor e cansaço.

Vive dentro de mim
a mulher que é mãe
cuidando de todos
regando com afeto
a todas as crias.

Vive dentro de mim
a mulher desiludida
chorando e sofrendo
sem ser compreendida.

Vive dentro de mim
a mulher apaixonada
fazendo poesias
sendo apenas sorrisos
ao longo do dia.

Vive dentro de mim...
mil mulheres
e nenhuma.

Mergulho no espaço


Mergulho no espaço
ausente e perdido do infinito
que oprime de forma esmagadora
os sonhos contidos.


Mergulho na escuridão
das noites achadas em meu peito
ao alcance dos meus pensamentos
e longe das minhas mãos.


Mergulho em mim
rasgo meus medos em pedaços
que nunca serei capaz de unir...
                             e ainda assim
causam dor em meu peito.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Devaneios aforidos

                                            ou Influências Nietzschianas

Perdulariamente as ideias brincam
com o excesso da razão
gerando herdeiros da consciência.

Trazem ao mundo
- os pescadores do inconsciente -
um novo alimento
de sabor amargo,
capaz de dizimar rebanhos
e reviver a arte.
Recolhem os restos
os tornando novamente belos.

Enraizados no corpo
nossos desejos,
suprimidos pelo mundo,
são resgatados por gestos e olhares
dos pescadores profundos
mergulhados em mares solitários.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Retorno

A inspiração perdeu-se
em olhares ansiosos
sorrisos nervoso
e cadernos em branco.

Perdeu-se em explicações
ocupada que estava
apenas com a realidade.

Escondeu-se tão bem
entre tintas fétidas
e concreto suarento.

Foi-se embora
por não suportar
as vozes desesperadas
os abraços não-nascidos
os afagos abortados
em olhares mortos.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Mente Insana


A mente insana
perde o seu rumo em um
olhar passageiro.

Silêncio que grita


Quando nos calamos
temos muito a dizer
há uma alma
que chora e sofre
pede silenciosamente
um único
abraço...

Sutilmente te quero


Quero-lhe calmamente...
com a sutileza
que só possui aqueles
capazes de amar.

Os quais se entregam,
permitem que o amor
seja seu mundo e
o sentido que permeia
sua alegria e
seu viver.